Segunda Feira

Entrevista - Jim Carbonera

NOME: Jim Carbonera
IDADE: 35
CIDADE: Porto Alegre / RS
RELACIONAMENTO: Namorando


1. Conte-nos um pouco sobre você.

Escrevi a trilogia Rino, composta de três romances urbanos:
Divina Sujeira, Verme! e Royal 47, mas agora estou
abandonando a prosa para migrar pra roteiros
cinematográficos. Sou natural de Porto Alegre, cidade em
que ainda resido, e tenho um cachorro da raça Cocker
chamado Duff.

2. Quem o trouxe para o mundo da leitura?

Sherlock Holmes. Minha paixão pela literatura começou
quando li Sherlock. Antes disso, achava a literatura um
saco, ainda mais as leituras obrigatórias da escola.

3. De onde vem à inspiração para escrever?

Do cotidiano. Escrevo Realismo Urbano. Então, tudo que
vejo, ouço e leio, são motivo de inspiração.

4. Com quantos anos começou a escrever?

28.

5. Quais as dificuldades de ser um(a) escritor(a)
brasileiro?

São muitas. Mas a principal é a falta de incentivo.
Normalmente o autor tem que se virar sozinho. Conta-se nos
dedos editoras realmente profissionais, que abraçam os
autores. Normalmente cobram do autor pela publicação e
depois de lançado, esquecem do mesmo. Hoje em dia há mais
leitores brasileiros ajudando e divulgando cada escritor.
Mas ainda assim, falta um pouco mais de união da classe e
proteção governamental (não muita, mas mínima como é no
cinema).

6. Qual o público alvo de seus livros?

Jovens e adultos; boêmios, questionadores, irrequietos.

7. Qual foi a parte complicada na construção de seus

livros, a que você teve mais dificuldade? E a mais fácil?

Como escrevo de maneira explícita, a mais difícil é sempre
a descrição sexual. Quero ser claro, sem ser ofensivo. Ao
mesmo tempo quero deixar o leitor inquieto, sem deixá-lo
demasiadamente constrangido. Então trabalhar isso sempre me
traz alguma dificuldade.
A mais fácil é a criação de cenários. Como me baseio muito
na realidade, normalmente os locais já estão bem formatados
na minha mente.

8. Enquanto escreve, compartilha a história com alguém,
para pedir conselho?

Sim, sempre. No mínimo para duas pessoas. Às vezes peço
somente depois de pronto. Mas normalmente enquanto escrevo
já vou me aconselhando com algumas pessoas.

9. Se começasse a escrever agora, mudaria alguma coisa?

Muita coisa. Quando comecei a escrever era muito intenso.
Queria chocar. Deixar o leitor perto do precipício. Hoje em
dia vejo que apenas isso não basta. Há outros propósitos
maiores do que apenas desafiar o leitor. Recentemente
reescrevi minhas três obras, e posso garantir que mudei
bastante coisa — mas sem perder a essência.

10. Qual seu outro hobby, além da leitura e a escrita?

Passear com o Duff (meu Cocker) e bater uma bolinha toda
segunda-feira.

11. Qual sua primeira obra publicada? Conte-nos um pouco
sobre.


Divina Sujeira. É um livro com um alto grau de indignação.

Escrevi num momento onde a sociedade era diferente. Não
tinha toda essa merda de politicamente correto, onde tudo
ofende, onde querem te censurar a todo custo. Estamos
vivendo na ditadura dos ofendidos. As pessoas usam a
“igualdade” para ter privilégios. Recentemente li uma
crítica dizendo que meu personagem não passava de um
estupradorzinho otário, machista e todas essas merdas.
Jamais me passou pela cabeça criar um personagem assim,
pois ali por meados de 2010, essas chateações não existiam.
Mas agora qualquer coisa magoa e é motivo de crítica. Então
é um livro com um personagem deslocado, sem um objetivo
definido, zanzando pela boêmia porto-alegrense atrás de uma
luz para traçar o caminho de sua vida.
Quando criei o Rino, quis mostrar que na minha geração,
muitos chegavam aos 27, 30 anos, ainda perdidos. Sem um
norte. Morando com os pais enquanto decidiam o que fazer
profissionalmente.

12. Qual a sensação de entrar em uma livraria e ver seu
livro em uma das estantes?

Para o ego do escritor é maravilhoso. Tu poder dizer: “Tem
na Cultura e na Saraiva”. Isso enche a gente de pompa. Mas
na verdade não é garantia nenhuma que será vendido. Serve
apenas para satisfazer a nossa vaidade boba e narcisista.

13. Qual gênero você gosta mais de ler e escrever?

Sempre adorei Realismo Urbano. Entretanto, como agora estou
me dedicando exclusivamente a roteiros audiovisuais, tenho
entrado de cabeça nos Thriller Psicológicos. E confesso que
virou uma paixão.

14. Qual sua formação?

Turismo-Hotelaria.

15. De onde você tira o nome dos personagens de seus
livros? De alguma forma tem relação com sua vida?


Alguns sim, outros não (pelo menos conscientemente). Os
nomes e sobrenomes me baseio muito pela família do
personagem: italiana, judia, alemão, afro, etc. Em relação
a características, algumas vezes misturo realidade e
ficção. Pego traços físicos de uma pessoa que conheço, mas
dou-lhe outra personalidade.

16. Se não fosse escritor(a), qual seria sua profissão?

Provavelmente me arriscaria em dirigir filmes.

17. Qual sua obra favorita, sem ser a sua? E seu autor(a)
favorito(a)?

Animal Tropical, de Pedro Juan Gutiérrez. Tanto o autor
como a obra são meus favoritos.
Tenho também alguns livros de roteiros do Quentin Tarantino
e são geniais. Cada vez que os leio, tenho mais admiração
pela Tarantino escritor.

18. Você gosta de ouvir músicas enquanto escreve? Que tipo
de música?

Adoro. Alguns escritores preferem o silêncio absoluto, eu
já desenvolvo melhor com uma música de fundo. Normalmente
um southern rock, um blues, algo nesse estilo.

19. Muitos se sentem incomodados com as críticas. Como
você reage a elas?

A gente aprende com elas, isso é óbvio. Mas depende muito
de quem venha. Há muito ignorante palpitando sem
diferenciar gosto pessoal de qualidade artística. Um
exemplo musical que eu sempre dou: Não gosto de Iron Maiden
nem Led Zeppelin, e por isso vou dizer que são ruins? São
fantásticos. Entretanto a sonoridade das músicas não me
agradam. Então acho que os artistas tem que saber filtrar
de onde vem as críticas. Algumas a gente mata no peito e
aprende com elas. Mas outras, a gente deixa sair na urina e
dispensa.

20. Nos fale um pouco sobre suas experiências literárias.

Depois de laçar três livros, decidi me dedicar à roteiros
de cinema. Estou muito satisfeito e cada dia mais dentro
deste novo universo. Então tenho lido e estudado bastante
este gênero da escrita buscando me aperfeiçoar mais e mais.

Caso tenha gostado, acesse esse site e fique por dentro das obras de Jim. www.jimcarbonera.com

Comentários

  1. Que bacana, estava mesmo curiosa pra saber um pouco mais sobre o Jim Carbonera 😄👏👏👏

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