Domingo

Entrevista – Amanda Reznor


NOME: Amanda Reznor
IDADE: 28 anos
CIDADE: São Paulo
RELACIONAMENTO: Solteira

Vamos começar nossa 1ª semana de autores com ela, nossa querida parceira, Amanda Reznor.  

1. Conte-nos um pouco sobre você.

Olá, pessoal! Primeiramente gostaria de agradecer pela oportunidade de
falar um pouquinho mais sobre meu trabalho :D. Bem, eu sou, antes de
mais nada, uma pessoa hiperativa. Eu não consigo parar, estou sempre
tendo novas ideias, e se não houvesse a possibilidade de escrever
histórias para esvaziar a cabeça, acho que eu já estaria – mais – doidinha
do que já sou (risos). Ainda assim, mesmo com essa agitação toda por
dentro, sou uma pessoa muito tranquila, e costuma ser difícil tirar minha
paciência. Eu estou numa fase bastante crítica, porque estou terminando
o Mestrado e começando o Doutorado, além de ter dois filhos pequenos
(uma menina e um menino), então não tem sobrado muito tempo. Sou
também apresentadora do Criador de Mundos na Rádio Geek, um
programa literário, e, além dos eventos literários, vivo em eventos de
tecnologia e de games – sim, sou gamemaníaca e tenho pós em Jogos
Digitais! xD

2. Quem o trouxe para o mundo da leitura?

Comecei a ler entre sete e oito anos, quando minha mãe trouxe uma pilha
de livros da Bienal do Livro de SP de 1996. Eu sempre convivi com a
biblioteca de livros dos meus pais, e vivia folheando os volumes. Gostava
muito da coleção de almanaques dos Escoteiros Mirins, da Disney.

3. De onde vem à inspiração para escrever?

Nessa mesma época, em 1996, meus pais se separaram, o que me deixou
bastante pensativa. Eu já gostava de criar histórias em quadrinhos e
pequenas redações, mas a introspecção proporcionada por essa fase me
fez entrar em mundos imaginários para afastar a depressão, e então, aos
dez anos, eu comecei a escrever meu primeiro livro – Mirela, a Moska,
sobre uma garota que um dia acordou na forma de um inseto.

4. Com quantos anos começou a escrever?

Comecei a escrever entrer 7 e 8 anos, em um diário que ganheir, e
também produzi, nessa época, as primeiras redações na escola. Uma
professora elogiou bastante uma fábula que escrevi, na segunda série,
sobre um sapinho, e desde então eu decidi que escrever seria o meu
maior talento!

5. Quais as dificuldades de ser um(a) escritor(a) brasileiro?

Acredito que a maior dificuldade seja estar em um meio que valoriza
pouco a leitura, e que valoriza menos ainda o trabalho dos profissionais
brasileiros. Infelizmente, as pessoas preferem ícones de outras
nacionalidades, tratando as produções nacionais como algo de segunda
ou terceira categoria. É certo que nem tudo que é desenvolvido no Brasil
é bom, mas isso é normal em qualquer parte do mundo e, assim como em
qualquer outro país, nós também temos livros, músicas e ideias
talentosas em qualquer área, mas que nem sempre recebem o devido
reconhecimento – por preconceito ou falta de oportunidade.

6. Qual o publico alvo de seus livros?

Tenho como público alvo jovens e adultos que gostem de literatura
fantástica, com tendência para o suspense e o mistério. Acredito que os
leitores de Harry Potter e os entusiastas de Game of Thrones irão gostar
bastante dos livros do Vale dos Segredos – embora o Delenda seja mais
puxado para o horror psicológico e o drama da protagonista. Já nos
próximos livros que farão parte do mundo do Escuso (como o
Castelformia e a Ordem de Omnia), irei explorar mais a aventura e o
período escolar, e haverá um ambiente futurista, repleto de tendências
tecnológicas, então acredito que o público alvo irá aumentar, abrangendo
aqueles que também gostam de soft Sci-Fi.
Além disso, o Vale dos Segredos, em si, é uma região que começou
durante a Idade Média, por causa do Castelo Azul da Alta Montanha (sim,
nunca falei disso antes!), e essa história do passado da região é algo que
remete muito ao cenário e ambiente desenvolvido em GoT e também no
Senhor dos Anéis. Calma lá – não estou dizendo que minha obra se
compara a alguma dessas (ainda tenho muito a crescer como escritora!),
e sim apenas que o ambiente é parecido, por isso quem gosta desse tipo
de leitura poderá gostar da série do Vale dos Segredos, também!
Importante falar, por último, que os livros do Vale dos Segredos são spin
offs – há livros solo, como o Delenda, e séries dentro da série, como é o
caso do Castelformia e a Ordem de Omnia, que faz parte das histórias da
Montanha Média.

7. Qual foi a parte complicada na construção de seus livros, a
que você teve mais dificuldade? E a mais fácil?

A maior dificuldade, quando escrevi o Delenda e o Vale dos Segredos, foi
encaminhar a história a partir da página 32. Eu havia conseguido fluir
com facilidade no início do texto, mas então percebi que eu precisaria
criar um rascunho com começo, meio e fim e os problemas que eu teria
que resolver ao longo do texto, ou não conseguiria prosseguir. O
primeiro livro é o mais difícil porque ainda não temos prática e, sem a
ajuda de outros profissionais (tive alguns leitores beta que me ajudaram
com as críticas, mas aqui no Brasil é difícil conseguir, ao menos para
autores desconhecidos e sem indicação, um editor que faça um bom
trabalho de editoração) você se sente um tanto perdido. Por isso
aconselho a todo autor inciante que aceite e receba o maior número
possível de críticas, e só assim será possível evoluir na escrita e
produzir uma obra digna, da qual não se arrependerá, futuramente, por
ter publicado em uma fase imatura.

8. Enquanto escreve, compartilha a historia com alguém, para
pedir conselho?

Sim, faço isso, mas prefiro compartilhar apenas quando o livro ou a
história já estão finalizados, pois antes de terminar a primeira versão eu
mesma faço muitas correções, vou e volto na história, e se eu entregasse
os primeiros capítulos, correria o risco de ter que repetir o trabalho mais
vezes e mudar tudo depois, desperdiçando meu tempo e dos que estão
lendo para me ajudar.

9. Se começasse a escrever agora, mudaria alguma coisa?

Se eu fosse reescrever o Delenda, por exemplo, alteraria várias coisas,
mas não tanto na história em si, e sim partes que eu achei que ficaram
corridas, mal explicadas. Eu também teria completado algumas lacunas
que ficaram nessa história, deixando o leitor confuso. Como eu digo,
muitas pessoas adoram as sensações que o Delenda traz, mas ele não é
uma história perfeita, e eu pretendo trazer algo de qualidade bem maior
em Castelformia e a Ordem de Omnia, corrigindo alguns erros que cometi
no meu primeiro livro.

10. Qual seu outro hobby, além da leitura e a escrita?

Tenho diversos hobbies! Gosto de dançar, cantar, compor músicas, tocar
violão e teclado, assistir a filmes e séries, desenhar, pintar, e também
gosto de atividades manuais – artesanato, mesmo, desde crochê até criar
pecinhas e joias etc. Ahh, sim, e não posso esquecer dos games, sou
viciada em jogos desde os quatro anos, quando tinha meu Nintendinho
(NES)! <3 :D

11. Qual sua primeira obra publicada? Conte-nos um pouco
sobre.

Minha primeira publicação foi de um poema, O Ato de Antes, selecionado
para a antologia Quente, da Letra Exótica. Depois disso, fui selecionada
para várias coletâneas da Editora Estronho, e consegui publicar a
primeira edição do Delenda pela Literata, em 2012!


12. Qual a sensação de entrar em uma livraria e ver seu livro

em uma das estantes?

É maravilhoso! Você sente que seu trabalho, todo o seu esforço, as horas
sem dormir valeram a pena – você pode lutar pelos seus sonhos e vê-los
realizados, essa é a sensação. Por isso, não desista de seus sonhos, mas
lembre também de se esforçar muito para suas sementes floresçam como
você planejou – se em pequenas mudinhas ou numa árvore frondosa!

13. Qual gênero você gosta mais de ler e escrever?

Gosto de tudo quando é livro de literatura fantástica, mas minha
preferência é pelas histórias de mistério e suspense, tanto na leitura
quanto na escrita!

14. Qual sua formação?

Minha formação é um tanto singular (risos). Comecei e não terminei o
técnico em Edificações, depois em Programação e Desenvolvimento de
Sistemas, e aí resolvi entrar em Farmácia, que também abandonei quando
percebi que não era a melhor área para mim. Retornei então para TI, e
me formei em Sistemas para Internet. Depois fiz pós em Jogos Digitais e
Mestrado em Educação Profissional, no qual dissertei sobre a utilização
dos jogos na Educação, e agora estou em fase de seleção para o
Doutorado em Literatura, na USP – e pretendo abordar o uso da
ramificação como recurso literário.

15. De onde você tira o nome dos personagens de seus
livros? De alguma forma tem relação com sua vida?

Muitas vezes eu invento, mas, quando estou sem ideias, eu começo a
olhar para as coisas ao meu redor – marcas, títulos e estampas, e aí o
primeiro nome que eu relacionar ao que eu estou lendo pode se
transformar num personagem, já com suas características iniciais.
Filmes, livros e músicas também me influenciam bastante.

16. Se não fosse escritor(a), qual seria sua profissão?

Bem, posso dizer que escrever é minha profissão secundária atualmente,
porque ainda não posso viver da escrita, e quando terminar minha pós-
graduação eu pretendo seguir no magistério. Só não sei ainda que
matérias irei lecionar, mas eu sempre gostei de dar aula!

17. Qual sua obra favorita, sem ser a sua? E seu autor(a)
favorito(a)?

A Boa Terra, de Pearl S Buck, é um dos meus livros favoritos. Em
segundo lugar eu costumo falar do Tuareg, de Alberto Vazquez-
Figuerôa, mas só porque eu acho injusto fazê-los competir em meu
coração com as obras da série Harry Potter, que transformaram a minha
vida!

18. Você gosta de ouvir músicas enquanto escreve? Que
tipo de musica?

Não é sempre que ouço músicas para escrever, às vezes acho que me
atrapalha, por isso só coloco músicas instrumentais e temáticas (por
exemplo, sons da época medieval, do Egito, de fantasia, de games
antigos etc).

19. Muitos se sentem incomodados com as criticas. Como
você reage a elas?

Eu não tenho problema em receber críticas. Sei que algumas pessoas
fazem isso de forma desagradável, e aí cabe o bom-senso a cada um,
mas as críticas são a única forma de nos ajudar a crescer e aperfeiçoar
nosso trabalho. Não sou uma escritora perfeita, e sim uma aprendiz –
mesmo em uma vida inteira eu duvido que saberia escrever
perfeitamente, ainda que treinasse muito. As pessoas precisam ser mais
humildes, ou correm o risco de se limitar em diversos sentidos por conta
das falsas convicções.

20. Fale-nos um pouco sobre suas experiências literárias.

A maior parte das minhas experiências literárias está em participar dos
eventos e de seleções de antologias. Eu acredito que a maior parte do
meu crescimento como autora, e o que me ajudou a conquistar as
primeiras publicações, além de ler muito e escrever sempre, é claro, está
no fato de que eu comecei a frequentar os eventos de lançamento e de
reunião de autores – foi quando conheci e fiz muitos amigos, todos muito
gentis em me ajudar a entender o mercado literário e como eu poderia
melhorar minha produção escrita.
Minha dica é que os novos autores sejam sempre humildes e busquem
esses contatos que irão enriquecer seu mundo com o exemplo de
pessoas mais experientes e que já precisaram trilhar “o caminho das
pedras”. De resto, assuma para si mesmo que “você não é tão bom
assim”, e que sempre precisa melhorar. Isso te ajudará a crescer em
qualquer área da sua vida!

Por fim, gostaria de agradecer ao Mateus pela oportunidade de estar
nesse cantinho falando com vocês, e agradecer também aos leitores
atuais e futuros que entraram no universo do Vale dos Segredos. Devo
muito a cada um de vocês! <3



Obrigado por ter chegado até aqui, acesse o site dela, www.amandareznor.com.br, e fique por dentro de suas obras...

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